Breve Histórico

1 - O início

O esperanto foi iniciado pela mente capaz de um humanista. Médico e estudioso de línguas, Lejzer Ludwik Zamenhof projetou o esperanto em 1878 e depurou-o entre 1881 e 1887. Durante esse tempo, Zamenhof muito se esforçou para tornar a língua sonora e viva já desde seu aparecimento inicial.

Nascido na Polônia, Zamenhof foi testemunha de uma cruel estratégia de opressão aplicada por diversos impérios ao longo do história: “Divida e conquiste”. Na época, o Império Russo dominava a Europa Oriental e, para facilitar isso, incitava os diversos povos a desavenças. O objetivo primeiro de Zamenhof ao criar um sistema de comunicação neutro foi este: aproximar mais as pessoas de diversas raças, evitando assim os ódios devidos ao mútuo desconhecimento e calúnias.

Em 1887 foi lançado o livro “Lingvo Internacia”, sob o pseudônimo de Doktoro Esperanto. A primeira edição saiu em russo. Logo seguiram-se outras em polonês, francês, alemão e inglês. A obra contém uma introdução sobre o esperanto, gramática completa de dezesseis regras, vocabulário bilíngüe de 900 radicais e alguns textos na língua internacional. Também havia um formulário com termo de compromisso de aprender a língua quando dez milhões de pessoas tivessem assinado a mesma promessa.

Muitas pessoas logo aliaram-se à proposta de Zamenhof e a língua do Dr. Esperanto fez-se viva e usada. Com o tempo passou-se a chamá-la simplesmente por esperanto. Em outubro de 1889 apareceu um conjunto de endereços de esperantistas, com mil nomes de diversos países. E na Alemanha, criou-se a revista mensal “La Esperantisto”, que foi muito importante para o crescimento inicial do esperanto. Esta durou até 1995, quando foi censurada pelo Império Russo por causa da tradução de um texto de Tolstoi, “Fé e Prudência”. Felizmente, em dezembro do mesmo ano apareceu a revista “Lingvo Internacia”, na Suécia. A partir daí, o movimento esperantista não parou mais.

2 - O movimento

De 1900 a 1905 o esperanto progrediu enormemente, com grupos e periódicos fundados em doze países. Na França importantes organizações suportaram o movimento e, em 1905, foi convocado o primeiro congresso internacional, realizado na cidade francesa Boulogne-sur-Mer. Começou assim o tradicional Congresso Universal de Esperanto, realizado todos os anos seguidamente até a 1ª Guerra Mundial, em 1914. A tradição ressurgiu em 1920, interrompeu-se novamente durante o período entre 1940 e 1947 por causa da 2ª Guerra Mundial e continua até hoje, todo ano em um país diferente. No ano de 1908 foi fundada a Universala Esperanto-Asocio - UEA (Associação de Esperanto Universal) por um pequeno grupo de indivíduos. Hoje ela é a principal organização esperantista a nível mundial.

Desde o começo o movimento esperantista procurou definir bem sua neutralidade em relação a qualquer tipo de religião, ideologia, política, etc. Isso fica claro na Declaração sobre a essência do esperantismo, comunicada durante o 1º congresso, e na Declaração sobre a neutralidade dos congressos de esperanto, durante o 2º. No entanto, uma neutralidade total rapidamente conduziria a uma estagnação, pela perda do objetivo original que motivara o surgimento do esperanto: o ideal de igualdade e fraternidade universal. A solução encontrada consistiu em se admitir abertamente este ideal do movimento, que se costuma chamar “a idéia interna” do esperanto, sem no entanto impô-la como obrigação aos praticantes da língua. Zamenhof expressou isso justamente durante o 2º congresso em Genebra. Pelas discussões envolvidas, observa-se o aspecto democrático sobre como e para que usar o esperanto. 1)

Após a primeira guerra e a morte de Zamenhof, o movimento entrou em uma fase de afirmação e organização, adaptando-se às novas circunstâncias mundiais. Mesmo para os não esperantistas, os ideais de paz tornaram-se mais importantes do que nunca. Por isso surgiu a Liga das Nações. A paridade de objetivos éticos entre a Liga e o movimento esperantista fez este último passar a se ocupar mais especificamente sobre o problema lingüístico, que não era objeto de apreciação da outra organização mundial. Desde então, o esperantismo enfatizou este aspecto como sua principal função social: demonstrar a vantagem prática da língua neutra para se alcançar a paz.

Do mesmo modo, após a segunda guerra, o movimento esperantista virou-se ainda mais para o lado lingüístico do que o ético. O surgimento de relações consultivas entre a UNESCO e a Associação de Esperanto Universal, em 1954, de novo fez o esperantismo insistir sobre seus objetivos de comunicação democrática. Até mesmo provou-se por métodos científicos bem estabelecidos o mérito lingüístico e didático do esperanto. Assim, começou a apresentar-se de modo mais agradável ao público, adaptando-se à nova mentalidade do pós-guerra.

No entanto, não cabe confundir adaptação com conformação. A perseguição rigorosa de esperantistas por alguns ditadores durante e após a 2ª Grande Guerra mostra que para esses tiranos o esperanto não era somente uma língua. A tendência internacionalista era perigosa para estes regimes, especialmente quando da fundação de associações esperantistas pró-trabalhadores ou sem nacionalidade. Esta versão popular da “idéia interna” coincidiu com a ascendência do inglês e dos EUA como potência militar-econômica. Isto fez os agentes finaceiros e econômicos esquecerem o esperanto, já que eles não mais precisavam de uma língua popular internacional para se comunicarem entre si: bastava-lhes usar a língua nacional dominante. Apesar de o esperanto não ter sido forte o suficiente para impor-se junto às instâncias governamentais, ainda continuou sendo visto com certo temor por causa de seu grande potencial de libertação.

Fontes

PRIVAT, E. Vivo de Zamenhof. 2. ed. Heronsgate:
  The Esperanto Publishing, 1937.

JANTON, P. Esperanto: lingvo - literaturo - movado.
  Rotterdam: Universala Esperanto-Asocio, 1988.
1) Até os dias atuais ainda se discute se o esperanto deve se apoiar principalmente em seus ideais para continuar sua difusão (seus objetivos ajudam o esperanto) ou se deve crescer pelas vantagens materiais que possibilita (a prática desenvolve o esperanto).